Os custos das viagens corporativas voltaram ao centro das atenções do mercado. Uma pesquisa recente da Alagev, divulgada em matéria especial do portal PANROTAS, revelou que 96% dos gestores de viagens já perceberam aumento nas tarifas aéreas, reflexo direto da alta acumulada do querosene de aviação (QAV), um dos principais componentes do custo operacional das companhias aéreas.
Por que as passagens estão aumentando?
O aumento está diretamente relacionado ao reajuste do QAV. Com o cenário internacional pressionando o preço do petróleo bruto, o combustível passou a representar aproximadamente 30% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras. Esse patamar torna inevitável o repasse de parte dessa pressão inflacionária direto para a precificação dos bilhetes emitidos.
Além do fator combustível, o ano de 2026 traz uma tríade de cenários excepcionais que pressionam o setor de logística e aviação de forma combinada:
- Copa do Mundo de 2026: O maior torneio esportivo global causa picos extremos de demanda e saturação na malha aérea internacional, reduzindo a oferta de voos promocionais e elevando as tarifas de maneira generalizada.
- Eleições: O calendário eleitoral historicamente provoca intensa movimentação de viagens públicas, assessorias e delegações, além de injetar oscilação cambial e incertezas temporárias no planejamento do mercado financeiro.
- Reforma Tributária: O período de transição e debates do novo modelo de impostos (como a implementação do IVA) traz margens de risco que as companhias aéreas e de hotelaria buscam mitigar preventivamente através do controle mais rígido de suas margens tarifárias.
O impacto prático para as empresas
Este cenário complexo de volatilidade e tarifas elevadas afeta a saúde financeira e operacional de corporações de todos os portes.
Os principais pontos de atenção são:
- Orçamento anual de viagens: Entender que podem haver desvios consideráveis em relação ao planejado no início do ano, devido aos reajustes dos custos de hospedagem e logística.
- Previsibilidade financeira: Dificuldade para projetar orçamentos exatos de projetos externos a médio prazo.
- Redução na flexibilidade: Redobrar a atenção com alterações de última hora por conta de multas e diferenças tarifárias.

Como as empresas podem blindar e reduzir esses custos?
Apesar do cenário desafiador no mercado de aviação, o gestor de viagens não precisam se limitar a cortes drásticos. Existem excelentes alternativas e práticas recomendadas para otimizar os recursos:
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Planejamento e Compra Antecipada
Entender o comportamento dos seus viajantes é essencial. Adquirir as passagens aéreas com pelo menos 21 dias de antecedência para trechos domésticos continua sendo o pilar de maior economia em viagens corporativas, desde que sem alterações (departamentos com alto índice de alterações devem emitir com menor prazo para diminuir as chances de multas por remarcação). -
Atualização da Política de Viagens
Analise o perfil dos viajantes da empresa e utilize tarifas compatíveis com a previsibilidade das agendas. Em muitos casos, tarifas flexíveis ajudam a reduzir custos com remarcações e cancelamentos. Além disso, acompanhar os dados de viagens permite identificar oportunidades de otimização e tomar decisões mais rápidas e estratégicas. -
Parcerias e Gestão Especializada
Contar com uma agência que ofereça dados, análises e consultoria especializada é essencial para alinhar a gestão de viagens aos objetivos da sua empresa, garantindo mais controle, eficiência e tomadas de decisão estratégicas.
O atual momento de passagens aéreas em alta de forma alguma indica que as corporações precisam paralisar os seus negócios presenciais. Pelo contrário: significa apenas que elas precisam de mais estratégia para extrair o máximo valor de cada embarque.
Planejamento de ponta, processos otimizados e uma governança financeira madura são os diferenciais que separam as marcas que perdem margem de lucro daquelas que conseguem crescer de forma sustentável mesmo diante das oscilações do setor de logística e aviação.


